pagamentos digitais instantâneos

Pix, Dimo, Yape e Bre-B: o que as empresas de transporte podem aprender com os pagamentos digitais instantâneos na região da América Latina

January 26, 2026

Written by Marisol Morelos

Pix, Dimo, Yape e Bre-B estão transformando os pagamentos digitais na América Latina. Descubra o que isso significa para o transporte terrestre e como vender mais com menos atrito.

A forma como as pessoas concluem um processo de pagamento está mudando mais rápido do que nunca na América Latina. Hoje, milhões de usuários já não pensam em cartões, em dinheiro em espécie ou em transferências lentas e cheias de fricção. Eles esperam pagar em segundos, a partir do celular, com soluções simples, seguras e disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Os pagamentos digitais referem-se a qualquer forma de pagamento sem dinheiro em espécie ou pagamentos realizados sem cédulas ou moedas, seja em um ambiente on-line ou off-line. Isso pode incluir pagamentos com cartões (débito, crédito e pré-pago), carteiras digitais (wallets), transferências bancárias digitais, pagamentos digitais instantâneos, pagamentos por QR Code ou pagamentos por link de pagamento.

No entanto, os sistemas de transferência imediata estão redefinindo a experiência de pagamento na região, ao abordar barreiras-chave e melhorar o processo de pagamento digital. Exemplos desse tipo de pagamento são o Pix no Brasil, o Dimo no México, o Yape no Peru e o Bre-B na Colômbia.

Para o transporte terrestre de passageiros, essa transformação não é uma tendência distante ou alheia, mas uma oportunidade concreta para melhorar a conversão, reduzir fricções e acelerar a venda direta.

Na Reserhub, temos claro que integrar múltiplos meios de pagamento digitais deixou de ser um detalhe operacional para se tornar uma decisão estratégica e uma vantagem competitiva. Hoje, no e-commerce, o pagamento não encerra a jornada do cliente: ele o define. É nesse ponto que se conquista a fidelidade ou se perde o usuário.

Pagamentos digitais na América Latina: uma visão regional

A América Latina tem uma particularidade: altos níveis de uso de dinheiro em espécie, mas também uma rápida adoção de soluções digitais quando elas resolvem fricções reais. Atualmente, os métodos de pagamento digitais e eletrônicos representam 60% do gasto total de consumo, segundo dados da PCMI Insights.

Os pagamentos instantâneos surgem justamente para fechar essa lacuna entre bancarização, velocidade e experiência.

Estamos avançando como região na digitalização dos pagamentos. No México, um caso de sucesso é o SPEI. Seu uso é cada vez mais frequente para pagamentos entre pessoas ou com tíquete médio elevado. Nós o habilitamos, por exemplo, no Mercado Pago como meio de pagamento, mas ainda estamos longe do que acontece no Brasil ou do que está prestes a acontecer na Colômbia com o Bre-B. No México, há iniciativas como o Dimo. — Jorge Cabrera, Diretor Comercial do Mercado Pago no México.

Jorge compartilhou que um dos grandes desafios é fazer com que mais pessoas digitalizem o seu dinheiro. A questão não é se as ferramentas funcionam; isso já está comprovado, mas o que acontece quando os usuários não têm uma conta de poupança que lhes permita utilizá-las? Por exemplo, com o Pix no Brasil, para que as pessoas possam transferir dinheiro, é necessário ter uma conta bancária.

Entendemos bem essa dor. Ao conversar com as empresas, o padrão se repete: investir para atrair um cliente digital, levá-lo quase até o final do processo e a transação cair no último passo porque ele não tem cartão ou porque precisa sair de casa para pagar em dinheiro. É aí que o impacto é maior. O ponto mais crítico da Jornada do cliente é o pagamento: quando todo o esforço operacional, comercial e de marketing já foi feito, a venda se perde na etapa final. —Jorge Cabrera, Diretor Comercial do Mercado Pago no México.

O que são Pix, Dimo, Yape e Bre-B?

Pix (Brasil)

O Pix é um sistema de pagamentos instantâneos criado e gerido pelo Banco Central do Brasil (BCB) que permite transferências e pagamentos em tempo real, 24 horas por dia, todos os dias do ano, sem interrupções e com liquidação imediata. Foi lançado em novembro de 2020, como parte de uma política pública para promover a inclusão financeira e modernizar o sistema de pagamentos do país.

O Pix viabiliza pagamentos e transferências entre pessoas, empresas e comércios diretamente a partir de uma conta bancária, utilizando chaves simples como número de telefone, e-mail, número de documento ou um código aleatório, sem a necessidade de dados bancários complexos. Também permite pagamentos por meio de códigos QR, facilitando seu uso em pontos de venda físicos e digitais.

Desde sua introdução, o Pix teve uma adoção massiva no Brasil. Em setembro de 2025, em um país com população total de 213 milhões de pessoas, 170,2 milhões de brasileiros já haviam utilizado o Pix, segundo dados publicados pelo Banco Central do Brasil.

Durante 2025, foram realizadas, em média, mais de seis milhões de transações por mês.

Dimo (México)

O Banco do México (Banxico) tem buscado implementar iniciativas semelhantes ao Pix no Brasil para promover a inclusão financeira. Em março de 2023, lançou um novo sistema de pagamentos instantâneos em tempo real: o Dinero Móvil, ou Dimo.

No caso das transferências entre pessoas, o Dimo permite enviar e receber dinheiro utilizando apenas o número de telefone celular do remetente e do destinatário, desde que ambos estejam registrados no sistema.

Esse sistema é sucessor do CoDi (Cobro Digital), lançado em 2019, que prioriza o uso de códigos QR e surgiu como uma alternativa que viabiliza pagamentos por meio de QR Code e tecnologia NFC, eliminando a necessidade do uso de cartões físicos. No entanto, o número de contas que realizaram ao menos um pagamento por esse método ainda é relativamente baixo.

No caso do Dimo, dos 5,6 milhões de usuários registrados em janeiro de 2024, o número aumentou para 12,2 milhões em dezembro do mesmo ano. Já no caso do CoDi, em dezembro de 2024, o número médio de operações diárias realizadas com essa ferramenta foi de 9.903, segundo dados do Banxico.

O México avança em um ritmo mais gradual. Embora o SPEI cresça de forma sustentada, o Dimo ainda enfrenta desafios de adoção em massa, principalmente devido à baixa bancarização (apenas cerca de 52% dos adultos possuem conta bancária). Ainda assim, constitui uma base importante para o futuro dos pagamentos instantâneos.

Bre-B (Colômbia)

O Bre-B é o sistema de pagamentos imediatos interoperável do Banco da República da Colômbia, por meio do qual todos os colombianos podem transferir dinheiro, independentemente da instituição financeira à qual pertençam.

Para realizar uma transação, o usuário precisa apenas acessar o botão Bre-B dentro do aplicativo de sua instituição financeira, inserir a chave do destinatário e o valor a ser transferido.

Para receber transferências, é necessário ter ao menos uma chave cadastrada, que pode ser o número de telefone, o documento de identidade, o e-mail ou um código alfanumérico atribuído pela instituição financeira. Todas as chaves podem ser consultadas e gerenciadas a partir do mesmo botão Bre-B no aplicativo.

Desde o início de sua operação, por meio do Bre-B, foram acumulados milhões de transações. Até 15 de janeiro de 2026, havia mais de 33 milhões de clientes registrados e mais de 312 milhões de transações realizadas, segundo dados publicados pelo Banco da República.

A Colômbia ainda se encontra em uma etapa inicial, mas com um marco regulatório claro e aprendizados diretos de casos como o Pix. Tudo indica uma adoção acelerada quando o sistema estiver plenamente operacional.

Yape (Peru)

O Yape é uma carteira digital privada criada pelo Banco de Crédito do Peru (BCP) que permite enviar e receber dinheiro instantaneamente, utilizando apenas um número de celular ou código QR, sem comissões para transferências entre usuários do aplicativo, além de possibilitar o pagamento de serviços, recarga de saldo e outras funcionalidades.

Atualmente, o Yape conta com mais de 15 milhões de usuários ativos e, para 2026, a expectativa é alcançar um total de 16,5 milhões de usuários ativos.

O que o pagamento digital instantâneo significa para o transporte terrestre?

No transporte terrestre, o pagamento costuma ser o ponto de maior fricção do processo de venda (jornada do cliente). O usuário já escolheu rota, horário e assento, mas abandona a compra quando:

  • Não possui cartão
  • O processo é lento
  • Precisa sair para pagar em dinheiro
  • O sistema falha ou demora a confirmar
  • Não há diversidade de métodos de pagamento

Os pagamentos digitais atacam diretamente esses problemas. Para rotas de alta frequência, trajetos curtos ou compras de última hora, pagar em segundos pode ser a diferença entre vender e perder o passageiro.

Wallets e transferências imediatas: seu papel no processo de compra

As carteiras digitais são aplicativos ou plataformas que permitem armazenar dinheiro de forma eletrônica, guardar métodos de pagamento e realizar transações de maneira rápida e segura, a partir do celular ou da web. Elas facilitam pagamentos, transferências e compras sem a necessidade de dinheiro em espécie ou cartões físicos e geralmente integram camadas de segurança como autenticação biométrica e criptografia.

Por isso, as wallets e os pagamentos instantâneos não são apenas mais um método de pagamento, mas verdadeiros aceleradores de conversão e fidelização.

Na jornada do cliente, eles:

  • Reduzem o tempo entre intenção e compra
  • Eliminam etapas desnecessárias
  • Diminuem o abandono no checkout
  • Viabilizam compras espontâneas e de oportunidade

Por exemplo, quando o usuário já tem seu dinheiro em uma wallet, o pagamento se torna quase invisível  e isso eleva a taxa de sucesso da transação.

O que uma empresa rodoviária precisa para integrá-los com sucesso?

Adicionar pagamentos instantâneos não é apenas uma questão de “incluir um botão”. Requer alinhamento interno entre o time de produto e o time de desenvolvimento para facilitar a integração dos diferentes métodos de pagamento digitais dentro do e-commerce. Contar com um parceiro tecnológico como a Reserhub permite acelerar esse processo e oferecer a experiência necessária para fazê-lo de forma ágil e eficiente.

A partir da experiência da Reserhub, as empresas precisam de:

1. Infraestrutura de pagamentos flexível
Capaz de integrar múltiplos métodos (wallets, transferências, cartões) sem fricção ou desenvolvimentos isolados.

2. Orquestração inteligente de pagamentos
Escolher o melhor método de acordo com o país, contexto, tíquete médio, comissões e comportamento do viajante.

3. Visão unificada de dados
Entender quais métodos convertem melhor, em quais rotas, horários e perfis de passageiros.

4. Um parceiro tecnológico especializado
Que conheça o setor, antecipe mudanças regulatórias e acelere a integração sem impactar a operação diária.

O papel de um parceiro tecnológico estratégico

A região avança para um cenário em que os pagamentos instantâneos serão o padrão, não a exceção. Para as empresas de transporte, o desafio vai além de apenas se adaptar: trata-se de fazê-lo com velocidade, controle e visão de longo prazo.

Na Reserhub, trabalhamos para que a tecnologia de pagamentos seja um habilitador do crescimento de nossos parceiros em seus canais diretos e não um obstáculo. Integramos ecossistemas de pagamento pensados para a realidade da América Latina, conectados a dados, revenue e experiência do passageiro.

Porque o futuro do transporte terrestre passa por entender o viajante e transformar cada interação em valor real para o setor.

Pix, Dimo, Yape e Bre-B não são casos isolados. São sinais claros de para onde a região está se movendo. As empresas de transporte que se prepararem hoje estarão melhor posicionadas para capturar a demanda de amanhã.

A pergunta já não é se os pagamentos digitais chegarão à operação das empresas de transporte terrestre de passageiros, mas quão preparadas elas estão para aproveitá-los quando isso acontecer.

Na Reserhub, acompanhamos as empresas rodoviárias nesse caminho, conectando tecnologia, dados e pagamentos para impulsionar uma venda direta mais ágil, rentável e centrada no viajante.

Escrito por Marisol Morelos

Especialista en comunicación digital con más de 8 años de experiencia creando estrategias de contenido en entornos B2B y B2C. Apasionada por la escritura y la tecnología, le gusta traducir datos e ideas complejas en mensajes claros que conecten con las personas.

You May Also Like…